sexta-feira, 3 de agosto de 2012
Do Corte na Despesa
Contudo, e não obstante o clima adverso que enfrentava, o Executivo deitou mãos à obra e começou a cortar na despesa: o número de Ministérios foi reduzido, os Governos Civis foram extintos, o Ministério dos Negócios Estrangeiros eliminou 21% dos cargos dirigentes, o MAMAOT reduziu-os em 25% e o Ministério da Justiça em 33%, o Ministério da Educação substituiu as Direcções Regionais por estruturas simplificadas e o Ministério da Solidariedade Social não renomeou os directores-adjuntos distritais. Para além destas decisões, a orgânica do Governo foi simplificada, com o Ministério da Justiça a extinguir 21% das suas estruturas orgânicas e o MAMAOT a eliminar 25 unidades de gestão.
Os cépticos ignoraram estas mudanças. Na sua visão tacanha, estas não passavam de uma operação cosmética para disfarçar um lúgubre lodaçal de compadrio e corrupção em que, por exemplo, os gestores públicos continuavam a fazer fortunas. Porém, o Executivo não ficou por aqui. Decidiu responsabilizar criminalmente os dirigentes que autorizassem notas de encomenda não cabimentadas e alterar o estatuto dos gestores públicos eliminando os prémios de gestão e os cartões de crédito das empresas, introduzindo a possibilidade de despedimento e limitando os ordenados ao montante ganho pelo Primeiro-Ministro e o número de administradores de cada empresa a três, seleccionados por uma entidade independente.
Mais uma vez, os cépticos fizeram vista grossa, sorriram cinicamente e continuaram a afirmar que o Governo apenas arranhara a superfície dos problemas. Chegar ao cerne destes não era, segundo os cépticos, um objectivo do Executivo. Daí que ainda proliferassem institutos públicos, empresas públicas e empresas municipais que ninguém estava interessado em extinguir. Mas o Governo provou, uma vez mais, que assim não era: proibiu a criação de novas empresas municipais, legislou para que as Autarquias tivessem de as reduzir em 50%, eliminou a Parque EXPO, fundiu o IPJ com o Instituto do Desporto e, posteriormente, de uma assentada só, extinguiu 146 organismos públicos e 290 cargos de direção superior. Acabou, também, por fim, com o encargo que o BPN representava para os contribuintes, privatizando-o e negociou com mestria a privatização da parte pública da EDP, algo que não fazia sentido manter após a abolição das golden shares. Reduziu ainda em 15% as transferências para a RTP.
Todavia, havia quem continuasse pouco convencido. Se os cépticos estavam mais à direita no espectro político, tendiam a acusar o Governo de complacência para com a proliferação de fundações. Se estivessem mais à Esquerda, o cerne dos problemas estava nas parcerias público-privadas. Uma vez mais, o Governo deu resposta a estas situações. Em Janeiro deste ano, lançou o censo às fundações, uma auditoria a estas organizações que, publicado hoje, expõe pela primeira vez na História da Democracia os sorvedouros que estas instituições têm sido. Hoje mesmo, após a publicação dos resultados, o Executivo anunciou que iria cortar o financiamento a estas organizações em 50% e, em muitos casos, em 100%. Também hoje, foi anunciada a renegociação dos acordos de concessão rodoviária, as tais PPP com que a Extrema-Esquerda tanto enchia a boca, que permitirão ao Estado poupar mais de mil milhões de euros.
A verdade é que, depois do descalabro socialista, este Governo e esta maioria têm estado a atacar de forma metódica, reformista e corajosa a despesa pública, o sobre-endividamento do Estado e os interesses instalados. E não é o cepticismo de alguns Velhos do Restelo que vai mudar isso.
quarta-feira, 25 de julho de 2012
Sonhos cor-de-rosa
quarta-feira, 27 de junho de 2012
Do Estoril para o Mundo
Termina hoje a XX edição do Estoril Political Forum, um ciclo de colóquios e debates que, durante 3 dias, trouxe ao Estoril uma luxuosa panóplia de oradores que primaram simultaneamente pela eloquência e pela qualidade científica.
Durante três dias, os participantes nesta iniciativa tiveram a possibilidade de debater temas fulcrais para a actualidade nacional, a questão europeia e o panorama político mundial com convidados como António Borges, Guilherme d'Oliveira Martins, Martim Avillez Figueiredo, José Manuel Fernandes, André Azevedo Alves, Miguel Morgado, António José Seguro, Lord Raymond Plant, Anthony O'Hear, Paul Flather e Celia Sandys, neta de Winston Churchill.
As fortes e vincadas opiniões manifestadas por estes e outros oradores marcaram indubitavelmente esta edição do Estoril Political Forum, provando que, também em Portugal, é possível discutir estes temas com a seriedade que implicam e a profundidade que os reveste. Atrevo-me a afirmar que, durante estes 3 dias, no Estoril, conseguimos chegar ao cerne de muitos dos problemas que afectam o nosso quotidiano e que foram traçadas algumas hipotéticas soluções de futuro que permitam alcançar uma sociedade mais tolerante e mais aberta, segundo as teorias políticas preconizadas por Karl Popper.
Contudo, não obstante o profundo contributo desta iniciativa para a formação pessoal dos participantes, o que se debateu no Estoril durante estes três dias só terá um verdadeiro impacto na nossa sociedade se esta estiver disposta a tomar parte nesta discussão. A precariedade da situação nacional, a incerteza da cena europeia e os desafios da actualidade global exigem dos cidadãos um envolvimento activo e comprometido num debate alargado que permita traçar alternativas de futuro, eventualmente baseadas nas ideias popperianas.
De resto, não obstante a importância do que debatemos, parecem-me especialmente relevantes as homenagens que foram dirigidas às virtudes de figuras como Churchill, Adenauer, Monsenhor João Evangelista e D. Jaime Gonçalves, Bispo da Beira (Moçambique), que constituíram uma autêntica nota de esperança na capacidade do ser humano para se reinventar e revelar a sua melhor faceta perante às dificuldades. Oxalá os Portugueses o consigam fazer...
Censura da Moção
Não e segredo para ninguém que vivemos numa época em que grande parte dos cidadãos nutre uma considerável desconfiança acerca da democracia.
Responsável pelas elevadas taxas de abstenção, este sentimento generalizado manifesta-se, entre outras coisas, na proliferação de uma cultura que acredita na inutilidade dos mecanismos da democracia face ao poder dos partidos políticos, concebidos como uma oligarquia especializada na manipulação dos mecanismos supracitados para a satisfação dos seus interesses e para a perpetuação dos seus jogos políticos.
Perante a proliferação deste sentimento generalizado, é obrigação dos partidos políticos exibir um comportamento responsável que permita refutar estes estereótipos. Aos partidos, exige-se, nomeadamente, que recorram com parcimónia aos instrumentos que a democracia lhes proporciona, a fim de não os despojar do seu significado e importância por via da banalização.
A apresentação, nesta segunda-feira, de uma moção de censura pelo PCP não é, obviamente, condicente com este propósito. Para já, porque o PCP não tinha a menor esperança de aprovar esta moção até porque a defendeu advogando os seus dogmas costumeiros ao invés de enveredar por uma retórica supra-partidária que convencesse os socialistas. Depois, porque os marxistas da nossa praça não apresentaram qualquer argumento novo que sustentasse a sua tese, preferindo recorrer à mesma retórica que foi sucessivamente sufragada e recusada durante mais de 30 anos.
Depois de, durante mais de 30 anos, os sindicatos ligados ao PCP terem despojado as greves do seu impacto, fazendo delas parte da rotina dos portugueses, o próprio PCP está a contribuir para a banalização de um instrumento da democracia e a pervertê-lo, a fim de favorecer os seus interesses partidários de um modo populista, demagógico, eticamente errado e, espero, ineficaz.
sexta-feira, 8 de junho de 2012
A lição do Wisconsin
A verdade é que, sempre que vejo um sindicalista de megafone em punho a papaguear os pontos programáticos que o PCP viu rejeitados nas eleições anteriores ou a procurar validar nas ruas uma agenda política que os cidadãos recusaram nas urnas, não consigo evitar interrogar-me acerca da utilidade deste modelo sindical. Cada vez mais os sindicatos se assemelham a uma oligarquia subvencionada empenhada na manipulação do sofrimento alheio, resoluta na realização de manifestações esgotadas na forma e vazias no sentido e comprometida com a perpetuação de uma luta de classes que, além de falaciosa, está cada vez mais obsoleta. Em suma, os sindicatos oferecem hoje uma triste imagem do que já foram, um conjunto de sanguessugas mais dependentes dos frutos do trabalho dos seus membros do que estes da inutilidade da sua intervenção.
Mas até a barulheira que os sindicatos fazem se está a tornar cada vez mais insuportável, à medida que os seus responsáveis se comprometem mais com a demagogia, se ancoram mais no populismo e mostram uma veemência quase esquizofrénica na recusa de qualquer solução minimamente responsável.
Foi assim em França há dois anos, quando Sarkozy, confrontado com um aumento substancial da Esperança Média de Vida, procurou aumentar em dois anos a idade da reforma e a CGT parou o país, causando prejuízos de milhões de euros, foi assim no Reino Unido, quando, no mesmo ano, Cameron procurou resolver o enorme buraco nas contas públicas legado pelo executivo trabalhista através de uma reforma das propinas universitárias, tem sido assim na Grécia, onde a inflexibilidade dos sindicatos tem travado as medidas de austeridade e condenado o país à ruína.
Também no Wisconsin, o Governador Scott Walker, empossado em Janeiro do ano passado, viu as suas políticas de combate ao défice ferozmente combatidas pelos sindicatos da Função Pública que, por meio de greves, manifestações e uma ocupação do Congresso estadual, conseguiram destituir Walker e impor uma nova eleição.
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| Scott Walker, reeleito Governador do Wisconsin no passado 5 de Junho. |
sexta-feira, 1 de junho de 2012
Patriotismo de Circunstância
Este ano, não é excepção. Com a chegada do Euro 2012, o deleite perante a perspectiva de mais uma competição desportiva tem levado os portugueses a desdobrar-se em reiteradas manifestações de um precário, mas nem por isso menos histérico orgulho nacional. O mais recente episódio desta demência colectiva que, periodicamente, contagia os portugueses foi o anúncio de que a iniciativa Corre Portugal já tem mais de 22.000 inscrições.
Como Patriota nato e Português orgulhoso, tenho uma aversão natural a esta transformação do patriotismo numa patologia colectiva que, periodicamente, acomete sobre os portugueses em geral, causando epidemias de histeria e surtos de insânia. Talvez por isso seja imune a esta estirpe do vírus do patriotismo. Em contrapartida, fui afectado por uma estirpe que, bem mais forte e bem mais coerente, não me permite confundir uma Nação com nove séculos de História com uma equipa de onze jogadores.
De resto, as corridas e a histeria colectiva são o menos grave. O mais preocupante é que apenas o desporto parece ter esta capacidade de galvanizar e entusiasmar o povo português. Talvez por isso, tantos portugueses parecem considerar o apoio inequívoco e, de preferência, bem audível à Selecção como uma evidência de patriotismo consideravelmente mais importante do que o exercício do direito de voto ou o voluntariado. E, enquanto continuarmos a preferir esta versão distorcida do patriotismo ao verdadeiro orgulho pátrio, não iremos muito longe...




